27 de abril de 2013

Fórum no ICMC discute possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras

Participantes concluíram que o sistema atual está sujeito a fraudes, e encaminharam ao TSE um memorando apoiando a transição para um sistema mais seguro

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Na última quarta-feira, 17 de abril, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) promoveu o 1.º Fórum Nacional de Segurança em Urnas Eletrônicas. O evento foi realizado no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano, no campus USP de São Carlos, e contou com especialistas em política e em segurança da informação, que discutiram as possibilidades tecnológicas de ocorrência de fraudes nas urnas eletrônicas utilizadas no Brasil.

Na abertura, o diretor do ICMC, José Carlos Maldonado, agradeceu a presença dos participantes e destacou a relevância do evento: "É um tema de importância nacional e mesmo internacional, pois os destinos do Brasil impactam os do mundo. O ICMC fica muito orgulhoso de sediar essa iniciativa", acrescentou.

O fórum foi iniciado com a palestra do engenheiro Amilcar Brunazo Filho, especialista em segurança de sistemas de informática e moderador do fórum VotoSeguro.org. Ele apresentou os princípios básicos de um sistema eleitoral tradicional eletrônico, e levantou o conflito entre os princípios da inviolabilidade absoluta do voto e da publicidade: “O autor do voto deve ser absolutamente secreto, mas o conteúdo do voto deve ser absolutamente público”, completou. Discorreu também sobre a disponibilidade absoluta. “É necessário que se faça um sistema seguro, mas com objetivo social. O sistema não pode falhar”.

O especialista apresentou ainda o trâmite do projeto de lei cujo artigo 5º regulamentaria o avanço da segurança das urnas brasileiras para a chamada segunda geração, permitindo a auditoria dos resultados por meio da impressão da cédula do voto, bem como suspensão sumária desse artigo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) logo após a sanção da lei, com alegações de ordem técnica e jurídica.
Ao finalizar sua apresentação, Brunazo Filho emocionou-se ao ver que a mobilização em torno da luta que há tanto tempo tem travado, até hoje com pouco apoio. “A minha expectativa é sensibilizar alguns dos que estão presentes aqui. Gostaria de ver no meio acadêmico uma iniciativa por parte de vocês”, finalizou.

Na segunda palestra, o professor Diego Aranha, da Universidade de Brasilia (UnB), apresentou os detalhes de seu relatório técnico sobre a segurança das urnas eletrônicas, resultado de testes feitos em 2012 por meio de edital do próprio TSE. Segundo o pesquisador, sua equipe conseguiu, com sucesso, atingir o nível de fraude do sistema, pois recuperou a lista de votação completa durante o tempo de análise da urna, além de descobrir que um número muito importante para decodificar todo o registro de votos era justamente a hora de inicio de operação da urna, informação pública, impressa nos boletins de urna que são enviados aos partidos.
O palestrante destacou que o TSE não considerou o ataque como sendo capaz de causar fraude, e sim de causar apenas falhas no sistema da urna, o que, segundo Aranha, não corresponde com os reais feitos de sua equipe. Os membros da banca do edital concordaram com o feito técnico da equipe da UnB e a entenderam o ataque como um sucesso na execução de fraude, demonstrando a fragilidade do sistema de segurança das urnas. Aranha informou que sua equipe apresentou um relatório técnico ao TSE para adequação de todas as irregularidades nas urnas. Segundo ele, o TSE respondeu dizendo que tais requisitos haviam sido atendidos, porém, não divulgou um boletim informando quais detalhes e procedimentos haviam sido tomados.

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Da esq. para a dir.: Kalinka Castelo Branco, Diego Aranha, Mario Gazziro,
Pedro Ribeiro, Oscar Marques, Vilson Palaro Jr. e Amilcar Brunazo Filho

Mesa redonda e resultados

Após as palestras, teve início uma mesa redonda que contou com a participação de Pedro Floriano Ribeiro e Maria do Socorro Braga, pesquisadores em ciência política da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Kalinka Castelo Branco e Mario Gazziro, docentes do ICMC, e Oscar Marques, do Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO). Participou também do debate Vilson Palaro Junior, juíz de direito civil e juiz eleitoral de São Carlos.

Após o debate, a conclusão dos participantes do evento foi que as fraudes podem realmente acontecer, passando despercebidas pela justiça eleitoral. A partir dessa informação, um memorando de apoio ao  projeto de lei que obriga a transição para urnas de segunda geração foi preparado pelos participantes do fórum e será encaminhado ao TSE, em Brasília. O documento na íntegra está disponível em http://goo.gl/BhFgH.

A discussão deve continuar. Os organizadores pretendem realizar em 2014 um congresso nacional de segurança do voto eletrônico, com inscrição de trabalhos, estendendo o tema aos sistemas de transmissão de informações eleitorais, sistemas de totalização de votos, servidores de exibição dos resultados parciais e de pesquisas na web.

A filmagem com a íntegra das palestras e da mesa redonda do fórum está disponível no canal do ICMC no YouTube: http://youtu.be/4_706EoJMjU

Por: Maristela Galati - Assessoria de Comunicação do ICMC

Fonte: ICMC

23 comentários:

William disse...

Importante debate e movimento em prol de mais transparência ao sistema eleitoral brasileiro. Estão de parabéns e passei a me interessar sobre o assunto após ver video de parlamentar apontando a fraude.
Espero que continuem a luta.

Anônimo disse...

Aqui para o lado do Nordeste, eu sozinho - Sylvio Montenegro - ergo esta bandeira desde antes da primeira urna registrar o primeiro voto eletrônico no Brasil. Em minha concepção a fraude é crônica, mas dificultar sua propagação é nossa missão, portanto é preciso confirmar as certezas (nós) para se colher as "quase" verdades (urna)... este é o retrato fiel de nosso Brasil.

Berto pernambuco on 5 de maio de 2013 17:31 disse...

se nao combatermos essas urnas nos tornamremos um Venezuela no melhor das hipo'teses

Anônimo disse...

É o suficiente para que o povo saiba que houve uma eleição. As pessoas que votam não decidem nada. As pessoas que contam os votos decidem tudo.
Joseph Stalin

Não adianta esta é a cartilha comunista. Podem apurar o quanto quiserem eu torço para que consigam

Anônimo disse...


O que muitas pessoas não sabem é que existe
uma máfia de resultados de eleições no Brasil, onde funcionários dos próprios TREs compactuam com politicos.E o TSE e a justiça brasileira abafa o caso! Por quê? Porque tem muita gente graúda sendo beneficiada! Cadê as denúncias de Caxias no Maranhão? Foi arquivado.!!! E em algumas cidades do Baixo Parnaíba, no Maranhão.Investiguem os resultados eletrônicos e as Atas dos Presidentes de Mesa pra vocês verem as discrepâncias! A ordem é pra abafar. Isso é Brasil!

Anônimo disse...

Qualquer " meio programador " pode programar um resultado de (3:1), (4:2 )etc... para o candidato(a) " A " ou candidato(a)" B ", inclusive no totalizador parcial ou no geral, ou ainda por Estado Mnicípio etc...

Anônimo disse...

Acredito que devemos voltar ao voto no papel.

Ou será que o Brasil é o único País do mundo que conseguiu inventar o voto eletronico seguro???

Os EUA são mesmo atrazados.......

Anônimo disse...

Pdemos levar esa bandeira da fraude da urna eletronica a midia internacional.
Quando tem repercução no exterior as pessoas escutam.
Tipo CNN ou algo semelhante.
O assunto já foi colocado em alto e bom som na camara.

http://www.youtube.com/watch?v=feZN9GIe-HE

Mas ninguem fez nada a respeito.

Anônimo disse...

MUITO BOM, apoio vcs que estao a favor de uma democracia melhor!

Anônimo disse...

Sou leigo neste assunto tão importante, gostaria de saber se durante o processo de votação tem como, de alguma forma, associar o voto ao eleitor, uma vez que a urna é liberada pelo mesário e, em seguida, o eleitor diigita o voto, essa sequência não é registrada em algum log já que o processo é digital?

Anônimo disse...

O programador põe um "vírus" na urna, o eleitor vê a foto, confirma o voto mas vai pra outro candidato.. Simples =/

Anônimo disse...

Corrupção um câncer q não tem cura! O remédio para atacar e diminuir que políticos corruptos sejam eleitos e reeleitos, é acabar com este sistema fraudulento eletrônico que permiti o atraso no crescimento do nosso Pais. Se o sistema não mudar, não votarei mais e farei uma campanha para que eleitores não votem,fiquem em casa. Esta seria a melhor manifestação sem violência no pais.

Anônimo disse...

Imprescindível o comprovante em papel informando para quem foi meu voto, para que seja feita uma conferência do resultado. A apuração eletrônica poderia dar um parecer dos resultados, sendo que a apuração manual confirmaria as devidas posições políticas. Simples, fácil e bem mais confiável.

bloger on 20 de dezembro de 2013 16:13 disse...

A meu ver, existe maratucáia no sistma. As eleições passadas, suscitaram muitas dúvidas no montantes de votos dos ganhadores. Nos que vivemos o dia a dia, conversando com as pessoas, jamais conseguimos entender a diferença de votos entre candidatos. Para mim, tem que voltar ao sistema antigo. É mais seguro, é mais sério e moral.

Anônimo disse...

EU SEMPRE ACHEI QUE ESSAS URNAS ELETRÔNICAS SÃO FALHAS, NÃO TRANSMITEM MUITA CONFIANÇA, E OLHE QUE EU NÃO ENTENDO DOS PROGRAMAS, MAIS OS FERAS EM COMPUTAÇÃO PODEM DIZER, OS RACKES DA VIDA, NÃO SEI NEM SE ASSIM QUE SE ESCREVE.

Anônimo disse...

CADE MEU COMENTÁRIO?

Anônimo disse...

O cadastro biométrico e fotográfico do eleitor, fragiliza a credibilidade do voto secreto tornando possível a identificação do votante em relação ao votado, indicando em apenas um bit se o voto foi contra ou a favor de um candidato, tanto no caso de imprimir a cédula para conferência quanto para efetivar o voto assim como o atual sistema.
A certeza de que o voto será secreto só existe se o preenchimento da cédula for feito manualmente dentro da cabine e que se verifique se não há câmera espiã. Não digo que não pessoas honestas, mas com certeza existem desonestas em todos os lugares.

ESCOVA SEM FORMOL on 7 de fevereiro de 2014 00:02 disse...

Depois que divulgaram que o irmão morto do Pizzolato votou......será que nem assim o TSE tomará providências ??????

Anônimo disse...

Porque será que os EEUU não enviam uma comissão para averiguar as eleições brasileiras também no Brasil? Será que eles estão ganhando com essa farsa também, pelo que sei a D. Dilma anda de mal deles, e nem assim eles reagem?

Natal on 19 de março de 2014 21:45 disse...

aqui em Duque de Caxias-Rj, meu cunhado foi candidato a vereador
e no local onde mora a maioria dos parentes votam ele não teve nenhum voto, eu tenho certeza que pelo menos o meu e de minha esposa votamos nele e estes votos não foram computados, temos o exemplo de São PAulo, onde o Celso Mussumano estava na frente até abrir as urnas e ganhar o candidato do PT do quite Gay

Natal on 19 de março de 2014 21:46 disse...

aqui em Duque de Caxias-Rj, meu cunhado foi candidato a vereador
e no local onde mora a maioria dos parentes votam ele não teve nenhum voto, eu tenho certeza que pelo menos o meu e de minha esposa votamos nele e estes votos não foram computados, temos o exemplo de São PAulo, onde o Celso Mussumano estava na frente até abrir as urnas e ganhar o candidato do PT do quite Gay

goretti verissimo on 9 de junho de 2014 19:02 disse...

Eu sabia, mas não tinha certeza

Anônimo disse...

Nesse momento (dia da eleição), nada me resta senão acompanhar a discussão do tema e contribuir para a busca de um estágio mais avançado de urna eletrônica, com vistas às próximas eleições. Para hoje, nada a fazer. Votar e torcer que tudo dê certo.

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