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13 de agosto de 2009

Audiência Pública no Senado Federal – internet e impressão do voto

Nesta quarta-feira (12 de agosto), senadores, representantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e convidados participaram de uma audiência pública no Senado Federal para discutir o projeto de reforma eleitoral aprovado pela Câmara dos Deputados.

O Projeto de Lei Complementar Nº 141/09 começou a tramitar no Senado em 14 de julho. Nos próximos dias deverá ser votado pelas Comissões de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) antes de ser levado ao Plenário. Para maiores informações sobre a Reforma Eleitoral e o Voto Impresso – leia os artigos publicados pela equipe [Fraudes UE].

A audiência foi solicitada, através de requerimentos, pelos senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Marco Maciel (DEM-PE) e Demóstenes Torres (DEM-GO). Além de liberar a internet para a propaganda eleitoral, a proposta também regulamenta a adoção do voto impresso a partir das Eleições Gerais de 2014.

Transmitida pela TV Senado, a audiência contou com a participação dos seguintes convidados:

  • Ministro Nelson Jobim, Ministro da Defesa, ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral e Presidente das Eleições Gerais 2002;
  • Giuseppe Dutra Janino, Secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral - TSE;
  • Eduardo Fumes Parajo, Presidente da Associação Brasileira de Internet - ABRANET;
  • Paulo Tonet Camargo, Diretor do Comitê de Relações Governamentais da Associação Nacional de Jornais - ANJ;
  • Doutor Murillo de Aragão, Mestre em Ciência Política e Doutor em Sociologia;
  • Jaime Wagner, Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) - Representante dos Provedores de Acesso e Conteúdo;
  • Fernando Neves da Silva, Advogado e Ex-Ministro do Tribunal Superior Eleitoral e o
  • Deputado Flávio Dino, Relator do Projeto na Câmara dos Deputados.

Clicando nos links abaixo, será possível visualizar os vídeos disponibilizados pela TV Senado.

  • Vídeo 1 - Sen. Demóstenes Torres abre reunião conjunta das comissões de Justiça e Tecnologia.
  • Vídeo 2 - Sen. Demóstenes Torres dá início ao debate sobre projeto de reforma eleitoral.
  • Vídeo 3 - Min. Nelson Jobim avisa que vai falar como ex-presidente do Trib. Sup. Eleitoral.
  • Vídeo 4 - Jobim fala do perigo de regras que empurram as pessoas para a ilegalidade.
  • Vídeo 5 - Min. Jobim elogia o eixo do projeto, de valorização dos partidos no processo eleitoral.
  • Vídeo 6 - Doações existem, explica o Min. Nelson Jobin, mas doadores não querem aparecer.
  • Vídeo 7 - Min. Nelson Jobim ressalta uso crescente da Internet no processo eleitoral.
  • Vídeo 8 - Para o Min. Nelson Jobim o artigo 5º, de impressão do voto, é retrocesso.
  • Vídeo 9 - Min. Nelson Jobim sugere exame da história para acompanhar evolução do processo eleitoral.
  • Vídeo 10 - Recadastramento eleitoral serviu para combater fraudes, conta Min. Jobim.
  • Vídeo 11 - Sen. Flexa Ribeiro fala das dificuldades para discutir o projeto eleitoral em tempo.
  • Vídeo 12 - Sen. Lobão Filho sugere ouvirem o relator do projeto na Câmara, Dep. Flávio Dino.
  • Vídeo 13 - Sen. Eduardo Azeredo esclarece sobre recontagem de votos de urna eletrônica.
  • Vídeo 14 - Sen. Pedro Simon de sentimento básico no Brasil: “coisas não são confiáveis”.
  • Vídeo 15 - Sen. Pedro Simon concorda em dar força aos partidos políticos e fala de fidelidade.
  • Vídeo 16 - Sen. Renato Casagrande quer opinião do Min. Jobim sobre artigos 105 e 23, e ‘ficha suja’.
  • Vídeo 17 - Sen. Valter Pereira fala de dúvida sobre voto para presidente, do eleitor em transito.
  • Vídeo 18 - Sen. Antônio Carlos Valadares aponta ‘gargalos na lei’ e falha dos Tribunais.
  • Vídeo 19 - Sen. Roberto Cavalcanti vê problema na pena de três anos, que pune o crime eleitoral.
  • Vídeo 20 - Sen. Antônio Carlos Jr. concorda que impressão de voto pode dificultar processo eleitoral.

Relator da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) é contrário a adoção do voto impresso. Para melhor entender sua participação no cenário político-eleitoral dos últimos anos, torna-se necessária uma revisão histórica do assunto.

Em 2002, foi instituída a Lei Federal Nº 10.408/2002, que dispunha sobre a implementação do voto impresso para permitir a conferência pelo eleitor. A pedido do então presidente do TSE, ministro Nelson Jobim, a proposta do senador Roberto Requião (PMDB-PR)  não foi aprovada em regime de urgência. Assim, perdeu-se o prazo para que a lei vigorasse nas Eleições Gerais de 2002.

Desde o início de trâmite da Lei Requião, o TSE posicionou-se abertamente contra a idéia da materialização do voto para efeito de recontagem e, através de emendas, conseguiu modificar vários artigos, desfigurando-o. Apesar da tentativa de boicote, o artigo que previa o voto impresso foi mantido. Entretanto, devido à aprovação fora do prazo, somente seria adotado no pleito de 2004.

Mesmo insatisfeita com a obrigatoriedade de materialização do voto, a Justiça Eleitoral “sugeriu” implementar, em caráter experimental, módulos de impressão em 5% das urnas do país, durante as Eleições Gerais de 2002. Cerca de 25 mil seções em várias cidades brasileiras – e todas as de Alagoas e do Distrito Federal – receberam urnas equipadas com o módulo impressor.

O resultado do teste já é conhecido. A maior parte dos eleitores teve conhecimento de que o voto seria impresso na hora que chegou à frente da urna. Conseqüentemente, não sabiam que precisava conferir e confirmar o voto impresso também, demandando ajuda dos mesários. A demora na votação por eleitor foi de 10 minutos, resultando em filas quilométricas. Os mesários não foram devidamente informados de que a bobina de papel deveria ser destravada antes do início da votação. Conclusão: falha mecânica das impressoras por atolamento de papel em boa parte das sessões eleitorais.

A suposta tentativa mal sucedida agregou subsídios suficientes para que o TSE emitisse o Relatório Final rechaçando a impressão do voto e indicando o registro virtual do voto como melhor forma de fiscalização e auditoria.

Para finalizar a jogada, entrou em cena o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que a pedido do então presidente do TSE, Sepúlveda Pertence, apresentou em maio de 2003 o Projeto de Lei Complementar Nº 172/03, que abolia a impressão dos votos nas urnas eletrônicas e criava o  “registro digital do voto”.

Após ser aprovado em meio a vários procedimentos obscuros, a proposta ficou conhecida por Lei do Voto Virtual às Cegas, uma vez que substituiu o Registro Impresso do Voto, cujo conteúdo é conferido pelo eleitor pelo conceito de Registro Digital do Voto, que o eleitor não tem como conferir, impondo uma forma de votar às cegas.

Voltando ao momento atual, não é difícil concluir os motivos que levam Azeredo, antes mesmo do tema ser discutido na CCT, dizer que pretende retirar do texto aprovado na Câmara dos Deputados o dispositivo que cria o voto impresso a partir das eleições de 2014.

É certo que algum objetivo ele tinha e ainda tem em defender com tanta veemência a retirada deste mecanismo de fiscalização. Sem o voto impresso, a auditoria do processo eleitoral é quase impossível. Onde não há auditoria, impera a possibilidade de fraudes. Quem defende a obscuridade tem medo da clareza advinda do simples batimento entre os resultados impressos e aqueles disponibilizados pela urna eletrônica.

Como já comentamos aqui no [FraudeUE] o ministro Nelson Jobim é declaradamente contrário a impressão do voto. Publicamente, seu convite aconteceu por se tratar de um ex-presidente do TSE. Entretanto, nos bastidores, é notória a sua atuação como advogado de acusação do voto impresso.

Segundo o ex-presidente do TSE, o projeto é bom, com apenas problemas em dois artigos, que precisam ser suprimidos do texto: o primeiro que prevê o voto impresso e o segundo que permite o voto em trânsito dentro do Brasil. Para ele, a medida seria uma regressão, pois permitiria a identificação do eleitor. (Pergunta que não quer se calar: de onde ele tirou isso?)

Para que valha para as próximas eleições, a proposição terá de ser sancionada até 30 de setembro deste ano. Entretanto, correm o risco de não vigorar em 2010 devido à crise no Senado e a tentativa proposital de atraso: ressalta-se que, ao contrário da Câmara dos Deputados, a matéria tramitará por duas comissões antes de ir a Plenário.

A realização conjunta da audiência pública foi uma tentativa frustrada de agilizar a tramitação do projeto. Inútil, já que é certo que o projeto voltará à Câmara, porque será alterado no Senado.

Entretanto, ainda existe um “porém”. De acordo com a coluna do Ilimar Franco, publicada no jornal O Globo de 30 de julho deste ano (e oportunamente divulgada pelo site Tijolaço.com), mesmo que o Senado aprove a proposta, o Presidente Lula vetará a medida.

O deputado federal Brizola Neto (PDT/RJ) duvida que o presidente tenha se posicionado desta forma. Na opinião dele, o mais provável é que a nota tenha vindo do ministro Nélson Jobim.

Independente do posicionamento a ser adotado pelo presidente, antes os senadores terão que votar a proposta. Cada um deles deverá afirmar sua posição - favoráveis ou não à manutenção do Artigo 5º do Projeto de Lei Complementar Nº 141/2009. Saber quais senadores são contrários a adoção do voto impresso é um excelente indicador, principalmente se considerarmos que durante as Eleições Gerais de 2010, dois terços do Senado Federal serão renovados.

Até o momento, somente sete senadores afirmaram que são favoráveis ao voto impresso. São eles:

Nome

Posicionamento

Fonte

Pergunta

Resposta

Alvaro Dias Favorável Twitter A B
Arthur Virgílio Favorável E-mail Paulo Castellani    
Cristovam Buarque Favorável E-mail Paulo Castellani    
Flávio Torres Favorável Reportagem da Agência Senado    
Flexa Ribeiro Favorável Twitter    
Neuto De Conto Favorável E-mail Paulo Castellani    
Paulo Paim Favorável Twitter    

Na lista dos declaradamente contrários estão:

Nome

Posicionamento

Fonte

Antônio Carlos Júnior Contrário Vídeo da TV Senado
Eduardo Azeredo Contrário Jornal Valor Econômico

Se você sabe de algum senador que também apóia a manutenção do Artigo 5º do Projeto de Lei Complementar Nº 141/2009, favor postar um comentário, indicando a fonte da informação.

Para finalizar, não poderíamos deixar de frisar a necessidade de divulgação da “Campanha pela aprovação do voto impresso no Senado Federal”. Vote SIM Senador

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7 de junho de 2009

Blindagem da Urna Eletrônica – TSE contra ataca

MILICIA_E_FRAUDE_ELEITORAL_- A falta de um debate amplo sobre os prós e contras do atual sistema de voto eletrônico utilizado no Brasil é uma reclamação comum entre os especialistas que apontam falhas no processo. Sobre o tema, destacamos o artigo “Debate” sobre a segurança das urnas eletrônicas não avançou!, publicado dia 03 de junho de 2009, onde comentamos sobre o Seminário Urna Eletrônica – Jornada pelo Aperfeiçoamento, realizado pela Alesp.

Segundo a jornalista Elaine Granconato, representante do Jornal Diário do Grande ABC, o “debate” não avançou devido à insistência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) em reafirmar que "as urnas são seguras e o processo, transparente".

Negligenciando as várias denúncias de falhas no sistema eleitoral que tomaram conta do país após as Eleições Municipais de 2008, o TSE continua com a estratégia de “blindagem” da urna eletrônica. Para eles, não aconteceu nada, as máquinas não falharam e a Justiça Eleitoral é totalmente idônea e transparente.

O Administrador Eleitoral não economiza esforços na campanha de marketing positivo do voto eletrônico. Tanto é que iniciou em março de 2009 a campanha “Por dentro da urna eletrônica”, onde pretende divulgar a sua versão sobre algumas polêmicas da eleição passada.

  • Caso Caxias (MA): o vídeo apresenta as vagas conclusões obtidas pela Polícia Federal, como forma de convencer o eleitor de que não ocorreu nenhum tipo de violação. O jornalista deixa claro que a Polícia Federal não identificou violação “nos lacres e nos componentes físicos das urnas eletrônicas recebidas”, entretanto não faz menção às irregularidades identificadas na interface computacional do equipamento;
  • Resultados obtidos pela pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Nexus: com credibilidade questionável, conforme o artigo O antes e o depois das reportagens sobre fraudes nas urnas eletrônicas, publicado dia  23 de janeiro de 2009.
  • Opinião contrária à implementação da materialização do voto: utilizando-se das conclusões obtidas no teste de 2002, justificando que houve demora na votação, falta de interesse dos “eleitores” pela recontagem, panes nas impressoras e o alto custo dos módulos de impressão. Considerando que não destacaram o interesse dos candidatos pela recontagem, nem informaram sobre o valor irrisório dos módulos de impressão frente aos kit´s biométricos, a retórica ainda não convenceu.
  • Declarações do Ministro Carlos Ayres Brito: presidente do Tribunal, informando que a tela de confirmação do voto, novidade nas Eleições Gerais de 2010, trará a certeza para o  candidato de que ele não irá perder ou ganhar a eleição mediante fraude.

Segue abaixo o vídeo institucional disponibilizado no site do Tribunal.

 

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25 de maio de 2009

Caso Praia Grande (SP)

Praia_Grande O jornal A Tribuna, da cidade de Santos (SP), publicou dia 20 de maio de 2009, ampla matéria a respeito do esquema de compra de votos ocorrido durante as Eleições 2008 na cidade de Praia Grande (SP).

O esquema foi denunciado pelo ex-presidente do diretório municipal do PDT, José Ronaldo Alves de Sales. Réu confesso, ele depôs perante o Ministério Público (MP) e disse que chefiou uma equipe de 40 "coordenadores" encarregados da compra de votos em favorecimento do candidato a prefeito (eleito) Roberto Francisco Santos (PSDB) e do candidato a vereador André Takeshi Yamauti (PPS). Os tais coordenadores tinham a função de convencer os eleitores a venderem o voto por cinquenta reais.

O esquema também foi confirmado por André Yamauti. Em depoimento ao MP, com claros objetivos de obter o benefício da delação premiada, ele citou a participação direta de Roberto Santos, e do ex-prefeito Alberto Mourão (PSDB). Na oportunidade, divulgou carta aberta esclarecendo detalhes do caso.

A compra de votos é uma fraude eleitoral que vem crescendo muito a cada eleição. Em regiões isolados dos grandes centros urbanos, identifica-se, em sua grande maioria, a forma clássica de comercial eleitoral. O candidato compra o voto e apóia-se na boa fé e ingenuidade do eleitorado, geralmente com a utilização de meios de coerção psicológica. Por outro lado, em municípios mais desenvolvidos, onde o candidato não consegue ter pleno controle sobre o resultado da fraude, utiliza-se a “compra” do título de eleitor. O candidato retêm o documento em troca de retribuição financeira. No dia da eleição, envia alguém de sua confiança para votar no lugar do eleitor, aproveitando que o documento não dispõe de fotografia.

O esquema utilizado em Praia Grande é uma forma aperfeiçoada de compra de votos. Segundo as denúncias, os candidatos envolvidos compravam a filmagem do voto. Nada de coerção psicológica ou retenção do título de eleitor. O eleitor filmava a tela da urna durante o voto, geralmente com telefone celular com câmara ou uma caneta filmadora emprestada pelos próprios candidatos, e trocava a gravação pelo dinheiro.

No vídeo abaixo, um eleitor comprova que votou nos candidatos André Yamauti (vereador) e Roberto Francisco (prefeito) durante as Eleições Municipais de 2008. 

A legislação eleitora já proibia o uso de aparelhos de radiocomunicação nas cabines de votação. Entretanto, a partir de 2008, a Justiça Eleitoral incluiu a proibição de entrada na cabine de votação com celulares, máquinas fotográficas e filmadoras. De acordo com a resolução estes objetos deveriam ser depositados em uma bandeja ou guarda-volume.

Entretanto, a realidade foi muito diferente. Uma vez que as seções eleitorais ainda não estão equipadas com detectores de metais, vários eleitores conseguiram entrar com equipamentos de filmagem. Apesar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar veementemente que este tipo de fraude tenha acontecido, a denúncia de Praia Grande vem confirmar o fato.


O eng. Amilcar Brunazo Filho, moderador do Grupo de Discussão Voto Seguro, lembra que:

“a maneira como a fraude foi feita em Praia Grande já mostra uma ‘evolução na tecnologia de compra de votos’ que irá permitir a fraude mesmo nas 500 mil novas urnas biométricas que o TSE pretende comprar.”

Segundo o site do Tribunal, o uso da identificação biométrica irá excluir a possibilidade de uma pessoa votar por outra, tornando inviável a fraude no procedimento de votação. Entretanto, o esquema em Praia Grande vem contrariar as expectativas da Justiça Eleitoral. A urna biométrica não é a solução de todos os problemas. As fraudes não serão totalmente eliminadas. As principais ainda continuaram a existir, só que de maneira adaptada.

Apesar de tudo, o TSE já deu início ao processo de aquisição das urnas eletrônicas modelos 2009 (UE2009), equipadas com a tecnologia de identificação biométrica do eleitor. Indiferente à crise econômica atual, estima-se que serão produzidas 500 mil novas urnas, a um custo unitário de R$ 2,5 mil.

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4 de maio de 2009

Magela e Gerson Peres discutem segurança do voto eletrônico

EntrevistasA segurança do voto na urna eletrônica foi tema de debate entre os deputados Geraldo Magela (PT-DF) e Gerson Peres (PP-PA), no programa Brasil em Debate da TV Câmara, dia 02 de março de 2009.

A urna eletrônica não é segura. Esta é a opinião de especialistas em tecnologia que participaram, em novembro de 2008, de audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. Na ocasião, o diretor da empresa Microbase Tecnologia, Frederico Gregório, afirmou que "os resultados das eleições feitas apenas com urnas eletrônicas não são confiáveis". De acordo com Gregório, nas últimas eleições de 2008, aproximadamente 30% das urnas apresentaram problemas, percentual muito acima do normal, que é de 2% a 3%.

Magela, que é presidente da subcomissão especial de Segurança do Voto Eletrônico, está de acordo com os especialistas.

“Nós queremos propor que o voto possa ser materializado, ou seja, que se tenha um papel para que, caso haja dúvidas dos partidos ou da sociedade, possa ser feita uma recontagem. Hoje, nós não temos instrumentos de fiscalização nem transparência”.

Autor do requerimento que convocou a audiência na CCJC, o deputado Gerson Peres tem a mesma opinião de Magela. Ele também defende a implementação de um sistema que permita a certificação do voto por meio de impressão.

O Brasil, segundo os especialistas que participaram da audiência, é o único país que usa apenas a urna eletrônica sem impressão do voto.

Confira abaixo a íntegra do debate, com apresentação de Tarcísio Holanda e produção da TV Câmara.

 

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26 de abril de 2009

Urnas eletrônicas: Violação ou democracia

Microfone A badalada urna eletrônica brasileira é tida como a forma mais segura de eleger um candidato com a convicção de que seu voto realmente é destinado à pessoa escolhida. No entanto, as últimas eleições ficaram marcadas por várias falhas no processo eletrônico de votação, vazamento de criptografias e até mesmo votos destinados a um candidato sendo computados a outro. Diante desta preocupação, o Deputado Gerson Peres (PP-PA) participou de uma entrevista no Painel Brasil TV.

Segundo o parlamentar, em algumas cidades as denúncias de irregularidades no pleito de outubro de 2008 foram tantas que as eleições municipais serão realizadas novamente. Ele destacou que, no primeiro turno, foram detectados mecanismos que prejudicaram o funcionamento das urnas eletrônicas. Ele também ressaltou que alguns problemas das urnas não podem mais ser aceitos. 

"Uma urna que não confere a contagem de votos e não certifica o meu voto fere a Constituição Federal, porque priva o cidadão de ter o conhecimento exato de onde está o seu voto", disse.

Confira abaixo a íntegra da entrevista, com apresentação de Rosa Diniz, produção de André Sarkis e edição de Sérgio Diniz.

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13 de março de 2009

E o Oscar vai para…

O ano de 2009 foi a consagração do filme Quem quer ser um milionário? (Slumdog Milionaire), do britânico Danny Boyle. Das dez indicações, o filme ganhou oito estatuetas.

Bem longe dos holofotes da festa de entrega do Oscar está um filme que tem tudo a ver com o nosso tema. Sem sombra de dúvidas, o Oscar Fraude Urnas Eletrônicas vai para…

CANDIDATO ALOPRADO (Man of the Year)

Candidato Aloprado PortuguêsCandidato Aloprado Poster InglêsCandidato Aloprado Poster Inglês 1  

Sinopse - Tom Dobbs (Robin Williams) é o anfitrião de um talk show que transforma em comédia fatos políticos. Ele habitualmente "aquece" a platéia antes de entrar no ar e, numa destas vezes, uma desconhecida lhe disse que estava desiludida com os políticos e que ela e seus amigos gostariam que Tom fosse candidato à presidência. Todo o auditório aplaudiu muito esta idéia, mas o assunto morreu ali. No entanto, durante o programa, ao fazer uma entrevista Tom comentou o que acontecera. A resposta foi imediata, pois em três horas chegaram 4 milhões de e-mails pedindo que ele fosse candidato. Em virtude do crescente apoio, ele decide se candidatar.

Paralelamente o congresso decidiu que o sistema Delacroix, da empresa Delacroy, é o mais indicado para apurar as eleições. Isto fez James Hemmings (Rick Roberts), o presidente executivo da empresa, vibrar ao ver a grande alta que teve as ações de sua companhia. Mas Eleanor Green (Laura Linney), uma programadora que trabalha para Hemmings, constatou que o programa tem falhas. As eleições acontecerão logo e James não tem tempo de resolver o assunto e assumir o erro, pois acarretará numa grande perda de dinheiro. Assim responde a Eleanor que o problema foi resolvido.

As pesquisas apontavam empate técnico entre o democrata Kellogg e os republicano Mills, sem chance para o independente Tom, cuja média na preferência dos eleitores era de 17%. Mas como nada foi feito, Tom concorrendo em apenas treze estados, vence em todos devido ao erro e consegue 275 votos no colégio eleitoral, o suficiente para ser eleito presidente.

Eleanor entendeu o que aconteceu e convencida de que a falha persistira, aprofundou os testes e descobriu que letras dobradas confundiam o sistema. No caso, os bb de Robbs, pela ordem alfabética anteriores aos ll de Kellogg e Mills e dos gg do primeiro, direcionavam indevidamente votos ao comediante, na proporção de três por um. Enquanto isso, a analista tenta se aproximar de Tom para explicar a situação, é perseguida por pessoas ligadas a James, que querem impedir que ela fale.


Após ler a sinopse do filme e se dar conta que nunca ouviu falar dele antes, você deve estar se perguntando por que um filme divertido, com um ótimo elenco (Robin Williams, Christopher Walken, Laura Linney), dirigido pelo competente Barry Levinson, passou longe do grande circuito brasileiro de cinemas para mergulhar diretamente na mais profunda prateleira das locadoras?

A resposta parece residir em alguns detalhes:

Título nada tem a ver com o filme.  Existem apenas duas razões que poderiam levar a Universal Pictures a traduzir o título original “Man of the Year (Homem do ano)” para “Candidato Aloprado”: ou os tradutores são membros da seita do Santo Baite¹ ou a atuação do ator Robin Williams foi realmente um marco da comédia pastelão.

Tema um tanto polêmico para as platéias brasileiras. Pense bem: graças às influências de uma empresa de informática, as eleições dos Estados Unidos passam a ser realizadas em urnas eletrônicas. Entretanto, ocorre uma “falha” na apuração e … Muito próxima da nossa realidade!

Um fato curioso no filme é a ótica que o diretor Barry Levinson atribui ao sistema computadorizado de votação. Para ele, trata-se de um golpe eleitoral capaz de destruir os fundamentos democráticos dos países que o utiliza. Por coincidência, assim como o sistema brasileiro, o sistema Delacroix também não imprimiam os votos dos eleitores. A empresa Delacroy tinha como slogan Facilidade – Velocidade – Precisão.

Não poderíamos esquecer de citar a homenagem feita ao Brasil. Em uma das cenas do filme, Tom Dobbs comentando sobre a eleição do novo papa (Bento XVI), revela que:

“no fundo do meu coração, eu preferia um papa brasileiro, o papa Raul. Só pra poder ver as freiras de fio dental e penachos. Eu acho que isto traria muita gente de volta à Igreja.”

Aos mais interessados, sugerimos o site JUS SPERNIANDI do Ilton C. Dellandréa. Em sua análise sobre o filme, ele afirma que:

“O que interessa (…) é que o filme escancara a insegurança do voto eletrônico e a possibilidade de falhas na urna.”

Fact or Fiction No site oficial do filme, o leitor é convidado a participar de um pequeno teste. Sobre a bandeira dos Estados Unidos aparece a inscrição: fato ou ficção? 

Com excelente direção, ótimos atores e piadas inteligentes, o Fraude Urnas Eletrônicas não poderia deixar de indicar o filme “Candidato Aloprado”.

¹ Termo cunhado pelo professor Walter Del Picchia, para se referi à aqueles que ainda acreditam na inviolabilidade do sistema eletrônico de votação.

Fonte de imagens e informação: Site Adoro Cinema

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6 de dezembro de 2008

Cabresto Digital

Opinião divulgada dia 25 de novembro de 2008, no blog Catatau.

Link da matéria: http://catatau.blogsome.com/2008/11/25/cabresto-digital/


Ontem o Jornal da Band exibiu uma matéria bombástica (imperdível): indícios de que nosso sistema eleitoral, das urnas eletrônicas, não é confiável. O Jornal esteve em Caxias/MA (mas também levantou as mesmas suspeitas em Guarulhos), colheu dados, e encontrou diversas irregularidades: teve até candidato a vereador que não encontrou o próprio voto computado.

O Pedro Doria chamou muito bem a atenção ao que está em jogo: o TSE não põe em questão a credibilidade do sistema eletrônico (alardeado como "infalível"). Segundo eles, muito provavelmente a culpa é dos próprios eleitores, que não souberam votar.

O Jornal teve acesso a documentos, e consultou diversos profissionais de tecnologia. Eles responderam o que qualquer pessoa com algumas horas na frente do computador sabe: não existe sistema 100% seguro.

E aí retornamos ao velho tema: é interessante notar como se põe o debate. De um lado, a defesa ferrenha de que o sistema é 100% seguro, contra os que contestam isso. De outro, a querela sobre se o aparelho é incorruptível, ou se o caso é da ignorância do do povo. O que evidenciaria dois pontos: crença ingênua de instituições como o TSE sobre sistemas eletrônicos, e preconceito para com a própria credibilidade de escolha do povo (ninguém teme onde esse preconceito pode chegar?).

Mas, discutindo assim, atingimos o ponto em questão? Dizer que um sistema é inseguro não significa afirmar que é ineficaz. A urna eletrônica funciona muito bem, como aliás também funciona o sistema convencional, dos papéis.

Como se voltar ao sistema antigo, ou adotar outro, resolvesse algo. Não figuraria o problema mais embaixo?

O caso das urnas é um pouco parecido com o da Lei Seca, e com todos os outros: tanto faz mudar o sistema - o problema não estava na aplicação?

Atualização do Postagem

A pedido da Dra. Graça Marques, enviamos os links das reportagens do Jornal da Band, no site You Tube.

Reportagem Caso Caxias (MA), transmitida dia 24 de novembro de 2008 (http://br.youtube.com/watch?v=l2sGotJMseM)

Reportagem Caso Caxias (MA), transmitida dia 24 de novembro de 2008

Reportagem Demais Casos, transmitida dia 26 de novembro de 2008 (http://br.youtube.com/watch?v=c_K1l35yaVw)

Reportagem Demais Casos, transmitida dia 26 de novembro de 2008

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